Fundado em 1993 junto com a criação da República Checa, o Czech National Bank (CNB) tem suas raízes no banco central da Tchecoslováquia. Como banco central da nova república, o CNB oferece serviços de compensação e liquidação para os mais de 50 bancos com licença para operar no país. Os negócios expandiram-se muito nos últimos anos. Em 1998 o banco administrava uma média de 750 mil transações diariamente, no valor de 300 bilhões de coroas, cerca de 10 bilhões de dólares, quase quatro vezes mais que seu antecessor em 1992. Estima-se um crescimento anual entre 15 a 20%.
Dos 1.400 funcionários do banco, cerca de 30 são especialistas em TI trabalhando na área central do banco, a seção de Sistemas de Pagamento. É nessa área onde todas as transações executadas pelos bancos são processadas em mainframes Unisys A16 e A18, com os dados armazenados em uma enorme base de dados DMSII. Diariamente o CNB recebe, eletrônica ou fisicamente, arquivos com os dados das transações, processadas efetivamente em tempo real, assim que os dados são recebidos. As informações relevantes sobre processamento e detalhes das contas são retransmitidas eletronicamente para os bancos participantes via extrato diário. Mas se um determinado banco quiser uma posição mais atualizada da sua conta ele precisa ligar para o CNB.
Marek Fialka, diretor do departamento de políticas e desenvolvimento da seção de sistemas de pagamento, admite que a situação está longe de ser ideal. “Os bancos dependem de informações precisas e atualizadas para conduzirem seus negócios. Entretanto, o volume de dados que conseguimos transmitir por telefone é limitado e a segurança das informações é uma preocupação constante. Além disso, o sistema telefônico sobrecarrega muito os funcionários do CNB. Queremos oferecer as informações que os clientes precisam de forma mais abrangente, eficiente e segura. Por isso há um ano e meio começamos a pesquisar como poderíamos adotar as tecnologias de informação mais recentes para conseguir nosso objetivo.”
O primeiro passo foi formar um pequeno Grupo de Projeto para definir os requisitos básicos do novo Serviço de Informações. Após uma consulta com vários dos nossos clientes mais ativos, representantes de vários tipos de bancos, o CNB decidiu que a melhor forma de obter as informações dos seus clientes era via extranet. “Pensamos em um modelo cliente/servidor”, conta Fialka, “mas essa idéia foi rapidamente descartada em prol de um serviço baseado na extranet. O ambiente cliente/servidor exigiria desenvolvimento, entrega e manutenção do cliente, o que não estávamos querendo. E os bancos participantes ainda teriam que comprar hardware e software específicos, o que não tornaria o serviço menos atrativo. Com um serviço baseado em extranet, tudo o que os bancos precisariam era de um navegador e uma conexão conosco, que eles já possuíam, sem nenhum custo adicional para eles.”
Uma outra constatação foi que, na medida do possível, o Sistema de Informação deveria usar componentes e software já agregados. Fialka continua: “Sabíamos que esse enfoque melhoraria o custo-benefício tanto inicialmente e em termos de manutenção subseqüente, além de facilitar futuros desenvolvimentos”. O resultado das deliberações da Equipe do Projeto foi um documento de duas páginas apresentando um resumo da próxima etapa do projeto, um Estudo da Definição. Como o CNB queria manter sua base de dados máster nas máquinas Unisys A Series, a Unisys foi definida como a principal fornecedora, mas Fialka destaca que o trabakho foi uma iniciativa conjunta com enorme colaboração das equipes da CNB e de várias outras empresas além da Unisys. Para garantir a continuidade entre os sistemas antigo e novo, a equipe do banco envolvida era composta pelos responsáveis pela manutenção e desenvolvimento dos sistemas existentes de compensação e liquidação, que trabalhou no projeto simultaneamente com as suas tarefas diárias. Esse enfoque foi importante não apenas porque aproveitou bem o conhecimento existente, mas também porque o banco sabia que a responsabilidade pela manutenção e posterior desenvolvimento do novo Sistema de Informação seria deles, por isso era fundamental o envolvimento da equipe desde o início.
O Estudo da definição, detalhando como o sistema deveria operar, quais seriam os componentes, como eles seriam integrados ao ambiente do CNB e como o projeto seria finalmente implementado demorou seis meses para ser concluído e ocupou mais de 200 páginas. Basicamente a solução desejada exigia que os dados que os bancos cliente precisavam acessar freqüentemente fossem replicados da base de dados DMSII principal para uma plataforma alternativa e daí para o servidor web. O mecanismo de replicação teria que agilizar a atualização, de forma que qualquer alteração dos dados no DMSII pudesse ser rapidamente transferida para a base de dados replicada.
Inicialmente foram sugeridos dois caminhos possíveis para essa replicação: o RDB da Unisys e o DATABridge da Attachmate. O CNB não teve dúvida. Marek Fialka explica: “Em uma etapa anterior do projeto havíamos decidido que, embora quiséssemos que nosso sistema contábil permanecesse no mainframe, queríamos o Sistema de Informação nas plataformas Windows NT e Oracle. Dessa forma, manteríamos a confiabilidade e segurança do mainframe para o processamento das transações e ainda teríamos todas as vantagens de um ambiente aberto, menos dispendioso, mais flexível e que nos daria mais flexibilidade. O DATABridge nos permitiria fazer isso, enquanto o RDB só funciona de mainframe para mainframe, daí nossa opção pelo DATABridge da Attachmate.”
O DATABridge replica seletivamente os dados da base de dados DMSII de um sistema legado A Series para uma plataforma alternativa. Uma vez estabelecida a base de dados de replicação (destino), o DATABridge confere os arquivos de auditoria da base de dados DMSII para determinar quais registros foram modificados, incluídos ou excluídos e copia todos os registros que atendem as especificações na base de dados de destino, que é devidamente atualizada. A velocidade com que isso irá ocorrer dependerá da freqüência que o DATABridge será “solicitado” a verificar os arquivos de auditoria da base de dados DMSII.
Entre a aceitação do Estudo da Definição, escolha do DATABridge e a implementação passaram-se cerca de dez meses. Os dados especificados foram replicados para uma base de dados Oracle, hoje com cerca de 650MB de dados brutos. O CNB especificou originalmente um retardo máximo de 100 segundos entre uma mudança nos dados da base de dados DMSII e sua replicação na base de dados Oracle. Na prática esse tempo dificilmente ultrapassa 50 segundos, podendo chegar a menos de 30 segundos. Como o banco estima que o volume dos dados irá aumentar, o teste de capacidade foi feito com cinco milhões de transações na base de dados principal cerca de 2,5 vezes o máximo atual e com a base de dados Oracle cheia. O tempo de resposta não apresentou uma mudança significativa, o que deu ao CNB a confiança que o sistema conseguiria arcar com qualquer necessidade futura.
Uma vez replicados os dados para a base de dados Oracle é rápido publicá-los na extranet do centro de compensação e liquidação do CNB para acesso pelos bancos via qualquer navegação. Medidas de segurança evitam vazamento de informações, mas assim como o restante do sistema, 90% dos softwares usados são personalizados. As informações são apresentadas aos bancos em um conjunto predefinido de telas, com uma série de parâmetros que podem ser alterados para atender as necessidades específicas de cada banco participante, sendo permitido um certo nível de customização do serviço. E como toda essa atividade ocorre remotamente a partir do mainframe do banco, não há degradação de desempenho no processamento das transações.
A segurança é fundamental e compreende diferentes enfoques em vários níveis: o mainframe do CNB, site, conexão da rede e com a devida autenticação do login de cada usuário. Além dos contratos entre o CNB e os bancos participantes estão sendo solicitados a adotar o novo serviço.
Analisando o andamento do projeto, Marek Fialka está muito satisfeito e observa que a adoção do serviço em larga escala terá impacto nas operações do próprio banco. “Com a transmissão mais automatizada dos dados, além de melhor eficiência por parte dos nossos funcionários, nossas operações estarão bem mais disponíveis aos clientes. Eles saberão tudo o que estiver ocorrendo. De agora em dia, se houver algum problema, todos os clientes saberão. O novo Sistema de Informação certamente nos fará ficar mais atentos!”
Mas na opinião de Tomas Hladek, diretor executivo da seção de Sistemas de Pagamentos, tudo vale a pena pelo excelente que o CNB pode oferecer hoje aos seus clientes. “O Czech National Bank existe para apoiar os bancos do país nos serviços prestados à população e empresas da República Checa. Temos orgulho de usar tecnologia de ponta como a solução DATABridge para aprimorarmos os serviços que oferecemos. Tenho certeza que melhorar substancialmente os detalhes, a estrutura e a qualidade dos dados que hoje podemos oferecer aos bancos irá ajudá-los a administrar seus negócios de forma mais efetiva e, principalmente manterem sua liquidez, uma relação onde todos se beneficiam.”